Pular para o conteúdo principal

Som Cristalino



Este é o meu disco preferido de Maria Bethânia. Gravado em 1992, em meio a comemoração dos seus 25 anos de carreira, o disco produzido por Jaime Alem já revela algumas tendências que a cantora seguiria em sua discografia, anunciando nas canções desse disco, as temáticas do Brasileirinho; Pirata: Encanteria.
Parece aquele tipo de trabalho realizado no quintal de sua casa com bastante carinho e respeito. E isso é evidente ao longo do roteiro de canções. Compositores especiais oferecem obras primas para Bethânia: Roberto Mendes, Renato Teixeira, Dominguinhos, Moacyr Luz, Djavan. E duas presenças deixam o disco mais bonito ainda. A percussão de Carlinhos Browm e o violão inimitável de Rosinha de Valença. Este seria o último trabalho de Rosinha antes de seu derrame cerebral. Não cito nenhuma canção em especial, pois vejo o disco como um todo e que deve ser ouvido com atenção e carinho. "Dourar o vale a serra, pupila, íris, pálpebra, retina, se olho água filtrasse a retina do mundo e da minha alma". *****

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Arte e Sensibilidade

Minha noite começa com Pedro Almodovar e sua obra prima. Arte, sensibilidade, emoção e simplicidade quando se juntam resulta nisso. Um filme irreparável cheio de impressões e sentimentos. Que bom que exista coisas como Almodovar para mostrar que existe vida inteligente diante de tanta hipocrisia e baixaria em nossa volta. OUTRAS IMPRESSÔES Pedro Almodóvar tem um dom raro. Ele consegue transformar histórias bizarras em obras de arte únicas de sensibilidade extrema. Tais histórias, em mãos erradas, poderiam se tornar meros melodramas fadados ao fracasso e ao escracho geral, tanto de público quanto de crítica. Em Tudo Sobre Minha Mãe , o diretor consegue o seu trabalho máximo, com características marcantes de toda sua filmografia, como por exemplo o seu amor declarado pelas mulheres, o drama íntimo e pessoal de cada personagem trabalhado de maneira única e tudo recheado com as melhores referências cinematográficas possíveis, nunca beirando o plágio ou oportunismo. ...

A culpa não deve ser do sol

Em vários momentos da leitura dos contos de Geovani Martins, trechos da canção "Caravanas" de Chico Buarque veio em minha mente. O que temos em mãos são narrativas que recolhem o que há de mais bárbaro e ao mesmo tempo o mais lírico da cidade do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa é recortada e colocada em cheque em cada viela e becos das histórias narradas. A sensação de abandono e exclusão social nos leva uma reflexão que não é tão fácil assim de se fazer. Como aponta a canção "A culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol". Uma viagem nada sentimental sobre a sociedade brasileira.