Pular para o conteúdo principal

Gal e Caetano




As minhas primeiras impressões do novo trabalho de Gal Costa são ambíguas. Nas audições iniciais, não senti nenhuma atração pelas canções arquitetadas por Caetano Veloso especialmente para a irmã de coração. Esse estranhamento é natural e posso tê-lo pois conheço profundamente a obra de Gal Costa. Cada vez que ouço o cd, entretanto, vou entrando na magia do canto suave da cantora acompanhando os arranjos eletrônicos, os arranhões, a secura dos arranjos criados pela galera de Caetano e vou encantando-me com o que ouço.

Gal mostra sua ousadia mais uma vez ao arriscar trilhar esse novo caminho. Podia lançar mais um cd tradicional como vinha lançando, ao contrário da crítica, prefiro o último cd Hoje, onde Gal apresenta uma abordagem múltipla e variada de novos compositores da MPB. Isso também é ser ousada. Vou acostumando e me entregando a sonoridade proposta no trabalho da cantora. Na mesa do som, só há espaço para o recanto que sinto ser luminoso de Gal Costa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Arte e Sensibilidade

Minha noite começa com Pedro Almodovar e sua obra prima. Arte, sensibilidade, emoção e simplicidade quando se juntam resulta nisso. Um filme irreparável cheio de impressões e sentimentos. Que bom que exista coisas como Almodovar para mostrar que existe vida inteligente diante de tanta hipocrisia e baixaria em nossa volta. OUTRAS IMPRESSÔES Pedro Almodóvar tem um dom raro. Ele consegue transformar histórias bizarras em obras de arte únicas de sensibilidade extrema. Tais histórias, em mãos erradas, poderiam se tornar meros melodramas fadados ao fracasso e ao escracho geral, tanto de público quanto de crítica. Em Tudo Sobre Minha Mãe , o diretor consegue o seu trabalho máximo, com características marcantes de toda sua filmografia, como por exemplo o seu amor declarado pelas mulheres, o drama íntimo e pessoal de cada personagem trabalhado de maneira única e tudo recheado com as melhores referências cinematográficas possíveis, nunca beirando o plágio ou oportunismo. ...

A culpa não deve ser do sol

Em vários momentos da leitura dos contos de Geovani Martins, trechos da canção "Caravanas" de Chico Buarque veio em minha mente. O que temos em mãos são narrativas que recolhem o que há de mais bárbaro e ao mesmo tempo o mais lírico da cidade do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa é recortada e colocada em cheque em cada viela e becos das histórias narradas. A sensação de abandono e exclusão social nos leva uma reflexão que não é tão fácil assim de se fazer. Como aponta a canção "A culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol". Uma viagem nada sentimental sobre a sociedade brasileira.