Pular para o conteúdo principal

O Leopardo de Marina Colasanti não é delicado



Marina Colasanti é herdeira direta da prosa de Clarice Lispector. Essa inspiração é perceptível nesta obra de contos que seguem uma perspectiva feminista ao olhar determinadas imagens da sociedade brasileira. A discussão em torno das relações de gênero são marcadas por uma posição de antagonismos entre os discursos dos diversos personagens.
Uma marca constante na obra é a apresentação de situações limites entre os personagens que tem como principal problema a solidão e a incapacidade de confiar nos outros. Os finais abertos garante ao leitor uma possibilidade riquíssima de se colocar no lugar dos personagens e através dessa abertura provocar sensações que nos colocam próximos nesse universo denso que é a nossa realidade. Muito bom. *****

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Arte e Sensibilidade

Minha noite começa com Pedro Almodovar e sua obra prima. Arte, sensibilidade, emoção e simplicidade quando se juntam resulta nisso. Um filme irreparável cheio de impressões e sentimentos. Que bom que exista coisas como Almodovar para mostrar que existe vida inteligente diante de tanta hipocrisia e baixaria em nossa volta. OUTRAS IMPRESSÔES Pedro Almodóvar tem um dom raro. Ele consegue transformar histórias bizarras em obras de arte únicas de sensibilidade extrema. Tais histórias, em mãos erradas, poderiam se tornar meros melodramas fadados ao fracasso e ao escracho geral, tanto de público quanto de crítica. Em Tudo Sobre Minha Mãe , o diretor consegue o seu trabalho máximo, com características marcantes de toda sua filmografia, como por exemplo o seu amor declarado pelas mulheres, o drama íntimo e pessoal de cada personagem trabalhado de maneira única e tudo recheado com as melhores referências cinematográficas possíveis, nunca beirando o plágio ou oportunismo. ...

A culpa não deve ser do sol

Em vários momentos da leitura dos contos de Geovani Martins, trechos da canção "Caravanas" de Chico Buarque veio em minha mente. O que temos em mãos são narrativas que recolhem o que há de mais bárbaro e ao mesmo tempo o mais lírico da cidade do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa é recortada e colocada em cheque em cada viela e becos das histórias narradas. A sensação de abandono e exclusão social nos leva uma reflexão que não é tão fácil assim de se fazer. Como aponta a canção "A culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol". Uma viagem nada sentimental sobre a sociedade brasileira.