Pular para o conteúdo principal

A Hora da Estrela


Este é o meu livro preferido. Inesquecível a primeira vez que entrei em contato com a narrativa de Clarice. Faíscas, pedras, fogo, sem medo de se perder no meio de suas imagens e fantasias. É meu livro de cabeceira e sempre que posso, folheio e leio passagens marcantes que proporciona momentos de lucidez e reflexão. A novidade é a postagem do show da cantora Maria Bethânia realizado em 1984 inspirado na obra de Clarice. Bethânia realiza uma leitura musical da trajetória de Macabéa e de uma grande parcela da população brasileira que não tem a menor chance de conseguir um dia ter sua "hora da estrela de cinema".
O áudio é excelente e fica claro todo o desenvolvimento do roteiro do espetáculo. Textos são apresentados e intercalados com canções que ampliam o significado das situações dramáticas dos personagens. Destaque para a gravação de "Cajuína"; "Fogueira" e uma suave interpretação da difícil "Soneto" de Chico Buarque que fecha o show. Se quiser conferir é só acessar o site http://www.mariabethaniareverso.blogspot.com/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Arte e Sensibilidade

Minha noite começa com Pedro Almodovar e sua obra prima. Arte, sensibilidade, emoção e simplicidade quando se juntam resulta nisso. Um filme irreparável cheio de impressões e sentimentos. Que bom que exista coisas como Almodovar para mostrar que existe vida inteligente diante de tanta hipocrisia e baixaria em nossa volta. OUTRAS IMPRESSÔES Pedro Almodóvar tem um dom raro. Ele consegue transformar histórias bizarras em obras de arte únicas de sensibilidade extrema. Tais histórias, em mãos erradas, poderiam se tornar meros melodramas fadados ao fracasso e ao escracho geral, tanto de público quanto de crítica. Em Tudo Sobre Minha Mãe , o diretor consegue o seu trabalho máximo, com características marcantes de toda sua filmografia, como por exemplo o seu amor declarado pelas mulheres, o drama íntimo e pessoal de cada personagem trabalhado de maneira única e tudo recheado com as melhores referências cinematográficas possíveis, nunca beirando o plágio ou oportunismo. ...

A culpa não deve ser do sol

Em vários momentos da leitura dos contos de Geovani Martins, trechos da canção "Caravanas" de Chico Buarque veio em minha mente. O que temos em mãos são narrativas que recolhem o que há de mais bárbaro e ao mesmo tempo o mais lírico da cidade do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa é recortada e colocada em cheque em cada viela e becos das histórias narradas. A sensação de abandono e exclusão social nos leva uma reflexão que não é tão fácil assim de se fazer. Como aponta a canção "A culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol". Uma viagem nada sentimental sobre a sociedade brasileira.