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Para que gosta de muito sangue e terror que beira o escatológico não pode perder a leitura do primeiro romance de Ricardo Ragazzo. Em 72 horas somos convidados a presenciar a mudança de vida na vida de um delegado de policia de uma cidade do interior que tem sua vida modificada pelo sequestro de sua filha.


O livro prende a atenção do leitor e nos convida a todo instante a montar o quebra cabeça que é apresentado pela narrativa. Mas o final peca pela saída "fantástica" que na minha opinião enfraquece a trama. Mesmo assim, a leitura é recomendada. Principalmente para quem tem estômago forte. ***







O paulista Ricardo Ragazzo lançou no último mês, pela nossa parceira, Editora Novo Século, o seu thriller de estreia, e sem dúvidas, os amantes desse estilo literário irão se surpreender com a escrita empolgante de um dos fundadores da República dos Escritores, e mais, irão guardar esse nome por um bom tempo e esperar por outros livros do autor, afinal, ele tem capacidade para continuar surpreendendo seus leitores.

O livro 72 Horas para Morrer já começa de uma maneira arrasadora, quando logo nas primeiras páginas conhecemos Júlio Fontana, delegado da cidade de Novo Salto. A vida de Júlio poderia estar normal, porém diversos acontecimentos passariam a atormenta-lo e fariam com que ele tivesse uma verdadeira luta contra o relógio, onde o objetivo seria continuar vivo. Para começar, Miguel, um homem que Júlio não suporta, deixa a prisão, e dias depois disso acontecer, uma morte abala o delegado emocionalmente. A situação piora, pois a pessoa por trás disso deixa recados, e ao seguir as mensagens deixadas nos mesmos, Júlio passa a ter surpresas desagráveis. Logo o delegado percebe que o assassino quer atingi-lo, e para isso, as pessoas que têm algumas relação com ele acabam sendo as envolvidas e correm risco de vida. O principal medo de Júlio, é que sua filha Laura seja uma das vítimas, e por isso a luta frenética contra os assassinos ganha uma importância ainda maior.

Como o próprio nome já diz, o livro é contado em apenas 72 horas, sendo elas de muita emoção, reviravoltas e principalmente assassinatos bárbaros, o que pode muitas vezes desagradar aos não fãs desse estilo de leitura, porém os fãs, irão se deliciar e devorar as 254 páginas em questões de horas, afinal, a forma com que Ricardo conduz a sua estória, faz com que o leitor não queira mais desgrudar do livro. A vida de cada uma das personagens é muito bem retratada e acontecem fatos reais, porém que nunca imaginaríamos acontecer no inicio da leitura.

Conforme o livro vai chegando ao seu final, temos quase certeza de como toda essa aventura vivida por Júlio chegará ao fim, e é aí que Ricardo Ragazzo nos surpreende com um final que confesso que nunca passou pela minha cabeça, sendo esse o motivo de Ricardo ter entrado para a lista dos autores nacionais que espero continuar lendo por um bom tempo. Apesar de saber desde o inicio, que tudo não passa de vingança, o final é o único que pela surpresa causada, chega a desagradas, mais nada que tire o brilhantismo que encontramos nessa obra. "-A vingança move, alimenta, energiza. É água no deserto. Uma amargura doce que dá sentido à vida. O ódio, diferente do amor, permanece conosco. Para sempre. Enquanto o amor é efêmero, o ódio enraíza na alma, modifica, transforma. Odiar, meus amigos, é a essência da vida!" (pág. 229).

O que mais me chamou a atenção em 72 Horas para Morrer, além das aventuras e a história que os personagens viveram até que chegasse o dia, foi a forma que o livro é contada, temos algumas partes contadas me primeira pessoa, pelo delegado, e em determinadas páginas, contada em terceira pessoa, fazendo que ao mesmo tempo possamos saber os sentimentos de Júlio e o que está acontecendo em outros lugares, sendo importantíssimos no decorrer do livro.

Enfim, quem, assim como eu, gosta de aventuras, mistérios, mortes sinistras e uma pitada de sobrenatural, não pode deixar de ler 72 Horas para Morrer, pois o que Ricardo Ragazzo nos mostra é simplesmente incrível. ((http://overshock.blogspot.com)

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