Entretenimento e fantasia. O resultado final do filme de Cecília Amado pode ser resumido nessas duas palavras. Dificilmente uma adaptação cinematográfica de uma obra literária consegue alcançar a magia do texto. Mas essa não é também a função do cinema. Literatura e cinema são expressões artísticas distintas. Mesmo assim, o filme de Cecília Amado consegue despertar no espectador um pouco da beleza e esperança que identificamos na trajetória desses menores abandonados. Acertos: Manter a ambientação do filme nos anos 30; trilha sonora exemplar (presença de Zéu Britto) casando com imagens e uma bonita fotografia da cidade de Salvador; a valorização do personagem Boa Vida com ótimas tiradas de humor. Problemas: Alguns personagens não tiveram suas histórias destacadas: a violência de Volta Seca (aparece quase depois de 30 minutos do filme); as contradições vividas pelo padre João José e sua aproximação com os capitães; e principalmente, a ausência da abordagem política dada por Jorge Amado ...
SOCIEDADE E LITERATURA