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Singelas Histórias do Brasil



O filme do cineasta mineiro Helvécio Ratton é uma surpresa agradável. Partindo de narrativas folclóricas, o diretor proporciona uma viagem leve dentro de um Brasil desconhecido, principalmente para os moradores dos grandes centros urbanos. Com direção precisa e simples, Ratton mostra que é um ótimo contador de histórias, recuperando a magia que existe no interior do país. Ótimo programa para assistir com a família. A seguir um comentário sobre o filme.***


O filme é composto de quatro narrativas curtas, costuradas por uma narradora, vivida por Marieta Severo. O longa surgiu a partir de um curta -- que é o primeiro segmento de "Pequenas histórias" -- quando o diretor participou de um projeto de uma TV educativa. Esse curta tinha apenas 12 minutos, mas o diretor acreditava que o material renderia mais. Por isso, resolveu produzir outros segmentos e fazer um longa de episódios.

"E a água levou" traz Patrícia Pillar no papel de uma sereia que começa a ajudar um pescador, que se apaixona por ela. Os dois acabam se casando. Para poder viver fora da água, a personagem abandona sua forma mágica, tornando-se uma mulher de verdade. Porém, essa união não será tão perfeita quanto podia parecer. (Patrícia está linda e delicada no papel)

O segundo segmento, "Procissão das almas", é protagonizado por um menino e, como na história da sereia, usa efeitos especiais para mostrar algo mágico -- uma procissão de mortos. O roteiro é inspirado numa lenda de São João Del-Rei, cidade na qual o diretor passava as férias da infância.

Na terceira história traz o ator Paulo José num papel inusitado: um Papai Noel. A inspiração, diz o diretor, veio dos filmes publicitários que dirigiu, nos quais atores mais velhos se fantasiavam de bom velhinho. Esse segmento, aliás, é o único localizado no ambiente urbano.

No episódio, o espírito do Natal muda as vidas de vários personagens -- como a dona de uma pensão e um grupo de mendigos. No elenco também estão Maria Gladys e o ator-mirim Miguel de Oliveira. O ator Gero Camilo faz um personagem à la Mazzaropi na última parte do filme, chamada "Zé Burraldo". Ele é um sujeito meio inocente que está sempre se dando mal, mas nem por isso consegue aprender. Depois da morte do pai, ele sai andando pelo mundo com sua herança, um burro. Uma série de infortúnios faz com que ele perca o animal e se envolva em trapalhadas.

Camilo se destaca nesse longa cheio de boas intenções, compondo o personagem mais divertido de "Pequenas Histórias". O roteiro de "Zé Burraldo" é o único baseado numa história já publicada, no caso, num conto do escritor e ilustrador paulista Ricardo Azevedo.

Como em seu filme "O Menino Maluquinho" (1993), Ratton busca trazer para a tela uma infância que não existe mais. Por isso, no fundo, o clima do filme é de uma certa nostalgia combinada com melancolia. São histórias à moda antiga, que podem cativar também os adultos, saudosos de sua infância. (Fonte: O GLOBO)




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