Pular para o conteúdo principal

Vida e Morte de Quincas



A novela de Jorge Amado é um momento divertidíssimo da literatura nacional. A trajetória de Joaquim Soares da Cunha não deixa de ser a trajetória de muitos brasileiros que se dedicaram a uma vida honesta e dedicada a família e que em um momento de loucura, se isso é possível, abandona tudo para ser realmente feliz e aquilo que sempre quis ser.
Por isso, a narrativa leve conduz o leitor com graciosidade ao entrar em contato com as últimas horas de "vida" e "morte" de Joaquim (Quincas) acompanhando de seus verdadeiros amigos pelas ladeiras de Salvador.
Jorge Amado é um dos autores mais injustiçados pela crítica literária nacional, que não consegue enxergar em muitas obras do autor, momentos de lirismo e forte expressão literária. Geralmente toda expressão artística que cai no gosto popular é visto de uma forma negativa e estereótipada. A morte de Quincas e suas últimas aventuras antes do seu definitivo desaparecimento revela a existência de um Brasil rico e melancólico. Leitura agradabilíssima (como diria José Dias)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Memórias de um senhor em busca do amor

Em seu último trabalho, Gabriel Garcia Márquez realiza uma pequena obra prima que aborda uma temática pouco comum em sua extensa e política produção literária. A trama é envolvente: Aos 90 anos, o narrador em primeira pessoa resolve se presentear: dormir com uma ninfeta virgem de 15 anos. Ao ligar para a cafetina, fica ansioso pela resposta, até que depois de muita procura, consegue marcar o seu esperado encontro. O resto é leitura, leitura e muita surpresa. Num estilo deliciosamente poético, acompanhamos sua ansiedade pelo encontro, seu desbafo de vida e ficamos na torcida para que tudo saia como ele planeja. Pode ser a última vez na vida. Mas quando encontra essa garota...............       Fica no ar uma grande suavidade e uma imensa vontade de viver cada minuto de nossa vida. Não podemos terminar nossa trajetória da mesma maneira que o simpático protagonista. Algumas frases são imperdiveis: "Quando minha esperança acabou me refugiei na paz ...

A culpa não deve ser do sol

Em vários momentos da leitura dos contos de Geovani Martins, trechos da canção "Caravanas" de Chico Buarque veio em minha mente. O que temos em mãos são narrativas que recolhem o que há de mais bárbaro e ao mesmo tempo o mais lírico da cidade do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa é recortada e colocada em cheque em cada viela e becos das histórias narradas. A sensação de abandono e exclusão social nos leva uma reflexão que não é tão fácil assim de se fazer. Como aponta a canção "A culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol". Uma viagem nada sentimental sobre a sociedade brasileira.