Pular para o conteúdo principal

Morte e Vida de Quincas



Baseado na obra de Jorge Amado, o novo filme de Sérgio Machado presta uma bela homenagem não apenas ao escritor baiano mas a todo o universo que a referida obra apresenta. Uma Salvador distante dos cartões postais, cheia de contradições, violenta, ignorante e atrasada. Sérgio realiza uma adaptação livre e incorpora no filme situações dramáticas ausentes na obra para a adaptação a linguagem cinematográfica.
Com muito humor e belas interpretações o filme comove o público e deixa margens a várias interpretações. Contardo Colligaris diz que ao assistir o filme identifica que "Quincas tem razão: só teme a morte quem não se permitiu viver, ou seja, quem viveu plenamente não tem medo de morrer. Mas o que é uma vida plena? Será que é a vida de Quincas? A bebida e os amores? A fuga das responsabilidades domésticas? Talvez o valor da farra de Quincas esteja, sobretudo, na liberdade de viver sem se importar com o julgamento dos outros, com a boa reputação. Para aproveitar a vida, antes de mais nada, não se preocupe com o olhar reprovador dos demais". Faço de Colligaris minhas palavras. A vida é curta demais para se preocupar com problemas e deixar que os mesmos impeçam a realização dos nossos desejos. Nada disso. Filme que vale a pena conferir e depois leia o livro. ****

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Memórias de um senhor em busca do amor

Em seu último trabalho, Gabriel Garcia Márquez realiza uma pequena obra prima que aborda uma temática pouco comum em sua extensa e política produção literária. A trama é envolvente: Aos 90 anos, o narrador em primeira pessoa resolve se presentear: dormir com uma ninfeta virgem de 15 anos. Ao ligar para a cafetina, fica ansioso pela resposta, até que depois de muita procura, consegue marcar o seu esperado encontro. O resto é leitura, leitura e muita surpresa. Num estilo deliciosamente poético, acompanhamos sua ansiedade pelo encontro, seu desbafo de vida e ficamos na torcida para que tudo saia como ele planeja. Pode ser a última vez na vida. Mas quando encontra essa garota...............       Fica no ar uma grande suavidade e uma imensa vontade de viver cada minuto de nossa vida. Não podemos terminar nossa trajetória da mesma maneira que o simpático protagonista. Algumas frases são imperdiveis: "Quando minha esperança acabou me refugiei na paz ...

A culpa não deve ser do sol

Em vários momentos da leitura dos contos de Geovani Martins, trechos da canção "Caravanas" de Chico Buarque veio em minha mente. O que temos em mãos são narrativas que recolhem o que há de mais bárbaro e ao mesmo tempo o mais lírico da cidade do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa é recortada e colocada em cheque em cada viela e becos das histórias narradas. A sensação de abandono e exclusão social nos leva uma reflexão que não é tão fácil assim de se fazer. Como aponta a canção "A culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol". Uma viagem nada sentimental sobre a sociedade brasileira.