Pular para o conteúdo principal

Dica de DVD



O Cheiro do Ralo não é um filme convencional. Provocativo, com diálogos intensos e irônicos, o filme aborda o tema da solidão, como poucas vezes vi no cinema. A trilha sonora é um dos pontos positivos da trama dirigida por Heitor Dhalia. Informações podem ser vistas no site oficial do filme www.ocheirodoralo.com.br.
Nos blogs que discutem o filme, muitas pessoas procuram interpretar qual o sentido da metafóra atribuída ao "cheiro do ralo" que sai do banheiro do personagem Lourenço. Acredito que, apesar do personagem apresentar uma certa paranoia em relação a sua realidade, " o cheiro do ralo" pode ser entendido como uma reprodução das imagens que diariamente somos confrontados a ver no cotidiano e que, por motivos diversos, não prestamos atenção para não alterar o rumo das coisas. Pode ser isso.
Como pedida de final de semana, o filme é nota 10. Se você adora filme americano (começo, meio e fim) com todos os arquétipos narrativos, provavelmente você não gostará do filme. Mas, de vez em quando, vale a pena fazer um esforço e começar a pensar. *****

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Memórias de um senhor em busca do amor

Em seu último trabalho, Gabriel Garcia Márquez realiza uma pequena obra prima que aborda uma temática pouco comum em sua extensa e política produção literária. A trama é envolvente: Aos 90 anos, o narrador em primeira pessoa resolve se presentear: dormir com uma ninfeta virgem de 15 anos. Ao ligar para a cafetina, fica ansioso pela resposta, até que depois de muita procura, consegue marcar o seu esperado encontro. O resto é leitura, leitura e muita surpresa. Num estilo deliciosamente poético, acompanhamos sua ansiedade pelo encontro, seu desbafo de vida e ficamos na torcida para que tudo saia como ele planeja. Pode ser a última vez na vida. Mas quando encontra essa garota...............       Fica no ar uma grande suavidade e uma imensa vontade de viver cada minuto de nossa vida. Não podemos terminar nossa trajetória da mesma maneira que o simpático protagonista. Algumas frases são imperdiveis: "Quando minha esperança acabou me refugiei na paz ...

A culpa não deve ser do sol

Em vários momentos da leitura dos contos de Geovani Martins, trechos da canção "Caravanas" de Chico Buarque veio em minha mente. O que temos em mãos são narrativas que recolhem o que há de mais bárbaro e ao mesmo tempo o mais lírico da cidade do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa é recortada e colocada em cheque em cada viela e becos das histórias narradas. A sensação de abandono e exclusão social nos leva uma reflexão que não é tão fácil assim de se fazer. Como aponta a canção "A culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol". Uma viagem nada sentimental sobre a sociedade brasileira.